Moda e tendência no uso da vegetação

Embora seja difícil trabalhar com elementos de moda e tendências no paisagismo, essas duas manifestações são importantes de serem consideradas, entendidas e trabalhadas no dia-a-dia por mim e daqueles que se interessam pela área.

A moda tem um tempo de duração menor do que a tendência, ou seja, aquilo que hoje está em alta rapidamente estará em baixa. A moda é uma solução pronta em busca de lugares para ser colocada e aplicada. Nas décadas de 20 e 30, a arquitetura modernista trazia jardins que encontram na escultura dos cactos o formalismo ideal para contrapor com as inovadoras e, na época, muito estranhas linhas retas.

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Na década de 50, o jardim na frente das casas, separado das calçadas apenas por gradis baixos que construíam uma leve barreira para cachorros vadios, privilegiava os “arranjos” de dracenas com agaves, cactos, espada de São Jorge, pedras e galhos secos, entre caminhos serpenteados, entendidos como românticos na época.

Tais caminhos levavam a um interior de móveis palitos com vasos em forma de cones, onde em geral vicejava um esplendido fícus elástica de folhas enormes e abundantes, de efeito contrastante naquele ambiente.

Por ser uma árvore enorme e de raízes agressivas, essa planta em pouco tempo destruiu vasos e, para ser reaproveitada, foi plantada em passeios públicos e quintais, que hoje são importantes na paisagem urbana de vários bairros paulistanos (embora suas raízes “levantem” o passeio e até alicerces das residências).

 

 

Com o passar dos anos, algumas plantas entraram e saíram de moda, por influência da televisão e depois das exposições de decoração, como Casa Cor. Entre elas a raphis excelsa, dracenas vermelhas, agaves attenuata, bambu mossô, rhipsalis, dasylirium, pennisetum, palmeiras azuis e ultimamente as paredes verdes, desenvolvidas por Patrick Blanc e redesenhadas em vários sistemas em todo o mundo. Estas últimas podem passar de um modismo para uma tendência mais perene, uma vez que traz um conceito interessante de revestimento verde. Apesar de manutenção difícil e tendo a opção das trepadeiras, as paredes verdes, em muitos casos, representam uma expressiva composição estética e “verdejam” o ambiente, trazendo a sensação de natureza em espaços verticais, cada vez mais comuns nas grandes cidades urbanizadas.

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Já as tendências são conceitos e ferramentas que conduzem a determinados usos da vegetação, em função do lugar onde será empregada. Alguns desses conceitos podem ser: o uso de uma planta escultórica no ponto focal de uma cena ou de um caminho; o uso de uma planta de forma expressiva, contra a luz, para realçar o recorte de sua silhueta; o uso de uma iluminação em uma espécie para provocar uma sombra de desenho marcante numa superfície contínua (sem janela); o uso de um conjunto de copas caducas para provocar a refrescante sombra no verão e o calor do sol no inverno; passar entre maciços arbustivos da mesma espécie, realçando a sensação de inserção do transeunte no jardim.

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Entre seguir a moda ou acompanhar as tendências, talvez a solução ideal seja mesclar a moda e as tendências, sem deixar de atender o gosto e o sonho dos clientes para encantá-lo e buscar surpreendê-lo, que é um dos objetivos de todos os projetos.

 

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Arquiteto Paisagista