Estar em contato com a natureza

Você já percebeu que, a cada ano, estamos nos afastando e, ao mesmo tempo, estamos nos reaproximando da natureza? É bem dicotômica essa frase, né?!

Mas, lendo uma reportagem, essa dicotomia me fez refletir porque estamos escolhendo voltar à natureza e, ao mesmo tempo, nos afastamos dela. Primeiro, vou enumerar algumas atividades e locais que mostram o quanto estamos nos reaproximando da natureza:

Acervo pessoal: Inhotim - MG

  1. Escolhendo fazer atividades físicas em parques ou mesmo em locais onde a natureza é abundante (montanhas e praias);
  2. Morar em casas com áreas verdes no entorno do terreno ou em edifícios com fachadas ;
  3. As férias são em locais em que a natureza está presente (cidades onde a natureza é o ponto turístico do local);
  4. Hotéis com natureza abundante;
  5. Restaurantes / cafés com bastante claridade natural e a presença de plantas naturais;
  6. Passeios ao ar livre, como na Cidade Matarazzo (antiga maternidade), parques e locais abraçados pela natureza;

Acervo pessoal: Inhotim - MG

 

E algumas atividades que estamos percebendo e escolhendo nos afastar da natureza:

  1. Construções de prédios sem a presença do paisagismo nos andares mais altos (ausência de jardineiras e área destinada ao paisagismo);
  2. Construções sem afastamento das ruas (criando ilhas de calor – já mencionado em outros textos);
  3. Instalação de totens digitais em parques e praças;
  4. Poluição sonora e visual (carros com autofalantes, totens luminosos, ...)
  5. Falta de planejamento/manutenção do paisagismo nas cidades;
  6. Falta de fiscalização nos terrenos das edificações das áreas permeáveis anualmente;
  7. Construções com pequenas janelas (1m2 para 6m2 de piso), impedindo a entrada da iluminação natural;
  8. Proibição para pisar na grama ou subir em árvores.

Acervo pessoal – São Paulo - SP

Na reaproximação à natureza, enumerei primeiro a escolha da atividade física, pois recentemente li uma reportagem que menciona: “Da rua para a trilha: por que cada vez mais brasileiros estão correndo na natureza.” Essa reportagem me chamou a atenção, devido à natureza estar presente na frase, como também à escolha da mudança da corrida do asfalto para a corrida na natureza.

Resumindo a reportagem, ela menciona que, além de trazer benefícios à saúde mental, nos afasta da poluição e da sobrecarga que enfrentamos no nosso cotidiano urbano. Mas um ponto que me chamou a atenção foi que essa atividade nos traz a presença para o momento presente (redundantemente falando), além de ter que tomar decisões a todo instante - percebendo que a incerteza faz parte dessa atividade na natureza. Sim, a incerteza faz parte dessa atividade, pois estamos pisando em solos não conhecidos, que nos fazem adaptar o nosso corpo ao equilíbrio, coordenação e postura o tempo todo.  A incerteza faz parte da vida.

Voltando à nossa lista das atividades e locais de reaproximação da natureza, percebemos que a natureza faz um bem “danado” para a nossa saúde mental. Como estamos constantemente sendo estimulados por propagandas e painéis luminosos, afetando a nossa saúde mental, física e psicológica, o contato com a natureza será cada vez mais importante para o nosso cotidiano. 

Já sabemos disso há bastante tempo. Equilibrar as construções e a natureza nas grandes cidades é o ponto inicial para que possamos ter uma qualidade de vida. Voltando à reportagem mencionada acima, estamos precisando e escolhendo as atividades físicas ao ar livre. E essa atividade pode ser feita em cidades onde a natureza faz parte do layout do local (Singapura, Seul, Paris e Berlim são  exemplos de cidades que estão aumentando as áreas permeáveis). 

Acervo pessoal: Cidade Matarazzo – São Paulo – SP

Já percebeu que, quando queremos relaxar / desconectar, escolhemos locais ao ar livre para visitar? Ambientes onde a natureza é a protagonista do local estão cada vez mais requisitados pelas pessoas, com a presença da iluminação natural, plantas naturais, espaços mais reservados (em meio à natureza), em vez de locais fechados.

Acervo pessoal – Maresias – SP

É nítido que estamos precisando e queremos ter mais contato com a natureza, pois é nela que recarregamos nossas baterias, neutralizando a nossa energia devido ao excesso de estímulos visuais e sonoros nas cidades.

Será que em algum momento conseguiremos equilibrar o concreto/vidro/metal com a natureza nas pequenas e grandes cidades, sem essa fragmentação, vivendo em equilíbrio e harmonia com os outros seres vivos da Terra?


Paisagismo e Arquitetura: um diálogo necessário

Neste texto, gostaria de retomar a importância da união entre a arquitetura e o paisagismo no que se refere às construções de nossas cidades e dos espaços habitados (apartamentos, casas e escritórios).


O Valor da Natureza

Começo este texto com uma pergunta reflexiva: qual o valor que a natureza tem em sua casa?


As mudanças climáticas e os sinais da natureza

Mudancas climaticas 1

Créditos: acervo pessoal – São Paulo - SP

As ondas de calor experimentadas nos últimos anos têm suscitado debates literalmente calorosos entre os especialistas climáticos (e também entre o público em geral). Alguns argumentam que o incremento da temperatura apurado nos últimos anos se trata somente de um fenômeno cíclico passageiro (El Niño e La Niña seriam os “culpados” por estas mudanças passageiras do clima). Outros dizem que o aquecimento global é estrutural, isto é, trata-se de uma realidade e, se nada mudar rapidamente, vivenciaremos um cenário climático catastrófico. Quem está certo? Devemos nos ater “somente” à questão do aumento da temperatura ou a natureza está emitindo outros vários sinais, mostrando que há uma mudança em curso sem precedentes?

Mudancas climaticas 2

 

Conversando com especialistas e também com colegas paisagistas, tenho notado que não há um consenso sobre o aquecimento global. Apesar de estarmos experimentando temperaturas mais elevadas ano a ano (vide gráfico acima), muitos ainda argumentam que esta elevação é passageira e que já já a temperatura irá baixar. Inclusive alguns, baseados, supostamente, em estudos de alguns cientistas, têm argumentado que a temperatura irá baixar e não subir. Isto é, há uma tendência de desaquecimento e não de aquecimento (apesar das medições, até o momento, mostrarem o contrário).

Diante de olhares tão contraditórios, parece-me que nós, seres humanos, acabamos ficando presos na inércia da zona de conforto. “Já que não há um consenso entre os próprios especialistas, quem sou eu para questionar alguma coisa? Melhor continuar vivendo a minha vida, pois, no final do dia, tenho contas a pagar. E é isso que importa.” E assim seguimos. Nos separando da natureza e de todos os sinais apresentados por ela, dia a dia, acreditando que isto não nos diz respeito. Em outras palavras, apesar de dizermos o contrário, perdemos, literalmente, a capacidade de enxergar e perceber que a natureza não está separada de nós, humanos. Somos parte dela. E, ao nos distanciarmos dela, estamos nos distanciando de nós mesmos.

Mudancas climaticas 6

Crédito: Pixabay

O aumento da temperatura e a formação de bolhas de calor nas cidades (e no campo também) não deveriam ser negligenciados, incluindo também o incremento da amplitude térmica (aumento das temperaturas extremas). Elas impactam a vida de todos nós que habitamos a Terra – animais, plantas, bactérias, vírus e seres humanos. E mesmo que não haja um consenso sobre esta questão, ao pesquisar o assunto de maneira mais rigorosa, é possível afirmar, sim, que ano a ano a formação de bolhas de calor e o aumento da temperatura nas grandes cidades têm sido uma realidade. Se no futuro esta tendência se reverterá, esta é uma outra questão (vários indicadores indicam que esta possibilidade é pouco provável, e que este fenômeno de redução das temperaturas pode acontecer em áreas isoladas, mas não na maior parte do planeta).

Ademais, acredito que seja muito importante não nos atermos somente à questão da temperatura, pois lendo diversos relatórios e livros de especialistas e também trabalhando com paisagismo há mais de uma década, é possível afirmar, categoricamente, que há outras diversas mudanças estruturais em curso que são inegáveis. A despeito da discussão (e controvérsias) a respeito do aumento da temperatura, há outros muitos indicadores e sinais que a natureza está emitindo e que são contundentes: estamos destruindo o meio em que vivemos. Em outras palavras: estamos nos autodestruindo.

Mudancas climaticas 3

Crédito: Pixabay

Para elucidar o parágrafo anterior, listarei abaixo uma série de informações e indicadores que corroboram a visão de que há algo muito sério em curso e que, se nada for feito, as condições de vida nos próximos anos serão muito distintas das atuais (no caso, mais desafiadoras).

Mudancas climaticas 4

Crédito: Pixabay

1 – Extinção de milhares de espécies de plantas e animais nas últimas décadas, com aceleração deste movimento nos últimos anos;

2 – Redução da área verde e das reservas florestais em todo o globo (ano a ano);

3 – Poluição dos oceanos, incluindo o despejo de milhões de toneladas de plástico anualmente;

4 – Contaminação dos rios e aumento das áreas secas (semidesérticas) em diversas regiões do planeta;

Mudancas climaticas 5

Crédito: Pixabay

5 – Aumento do número de incêndios e queimadas mundo a fora (ano a ano);

6 – Descongelamento das calotas polares...

Coloquei propositalmente reticências no final do último tópico, pois a relação é muito mais extensa. Os sinais são claros. A meu ver, inquestionáveis. O meio natural, o que inclui nós, humanos, está passando por mudanças estruturais e estas modificações impactarão as diversas inter-relações existentes em Gaia.

Sair da inércia e encarar esta realidade talvez seja uma das atitudes mais corajosas que podemos realizar neste momento. Perceber que esta questão é muito séria e requer o envolvimento de todos nós. Literalmente. Somos 8 bilhões de humanos e as pequenas escolhas do dia a dia podem fazer uma grande diferença. Encerrarei este texto, listando algumas delas abaixo, porém, há muitas iniciativas possíveis e precisamos, sim, dialogar mais sobre isso:

1 – Reflexão sobre os hábitos de consumo pessoal e a identificação do consumo como sentido de vida;

2 – Verificação da origem dos alimentos e métodos de produção;

3 – Aprofundamento sobre temas, tais como: sustentabilidade, agrofloresta regenerativa, agrofloresta sintrópica, reutilização de materiais, economia circular, dentre outros diversos;

4 – Dedicar mais atenção ao autoconhecimento, pois muitos hábitos de consumo estão relacionados com a desatenção sobre si;

5 – E como não poderia ser diferente, destacarei (por último), como paisagista, o aumento do plantio de árvores e plantas nas cidades, incluindo nas nossas residências (fachadas dos edifícios, jardineiras internas e externas). Neste tópico, destaco a importância de valorizarmos mais os projetos paisagísticos e as políticas públicas que incluem uma maior presença de árvores e plantas. Claro, este item, preciso assumir, tem o viés de uma paisagista falando, porém, ele me parece ser fundamental. Os últimos estudos e pesquisas científicas têm demonstrado a diferença de temperatura, numa mesma cidade, em bairros arborizados x bairros não arborizados. O número é muito significativo – os estudos mostram uma diferença de até 8°C numa mesma cidade.

“Não tenho filhos. Mas com o jardim estou aprendendo lentamente

o que significa o cuidado, a preocupação com o outro.

O jardim tem sido um lugar de amor.”

Byung-Chul Han, estraído do livro Louvor à Terra: Uma viagem ao jardim.


A natureza e o fator tempo

Vive-se num mundo em que a sensação de correria e de afobação está cada dia mais presente na vida cotidiana, pelo menos, para uma boa parte da população.


A natureza nas cidades

A cidade de São Paulo, recentemente (Novembro/2023 e Janeiro/2024), foi impactada por uma tempestade e fortes ventos (acima de 100km), o que gerou a queda de energia, em diversas regiões, por um prolongado período.


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