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Palácio de Pena em Portugal apresenta belezas raras envidenciadas pelo Paisagismo

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Pedro Henrique Oliveira - Dir. de Marketing do Paisagismo em Foco

Depois do terremoto de 1755, o Mosteiro da Pena entrou em progressiva decadência devido aos estragos provocados pelo abalo sísmico, à passagem do tempo e à crescente escassez de recursos. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o mosteiro ficou abandonado. Quatro anos mais tarde, o mosteiro e a mata circundante foram vendidos a D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha, rei consorte de D. Maria II (r. 1834-1853).

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Inicialmente, o rei pensou apenas em restaurar o velho cenóbio. Mais tarde, muda de ideias e, por volta de 1840, encomenda ao Barão de Eschwege, arquiteto militar da Renânia, que trabalhava em Portugal como engenheiro de minas, um projeto para um "Palácio Novo". Conservando os claustros, a capela quinhentista e alguns anexos, Eschwege desenha um palácio com constantes referências arquitetónicas de influência manuelina e mourisca

 

 

O resultado foi descrito por Richard Strauss, aquando da sua visita a Sintra: ”Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto e nunca vi nada que valha a Pena. É a coisa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, está o castelo do Santo Graal”.

 

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Em colaboração com o Barão de Eschwege e o Barão de Kessler, D. Fernando II (reg. 1853-1855) vai definir também o plano e o projeto paisagístico do Parque que viria a envolver o Palácio da Pena.

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Aproveitando o terreno acidentado, a fertilidade do solo e a singularidade climática da serra, ele manda plantar um imenso arvoredo, originário de regiões distantes, enquadrando, bem ao gosto romântico da época, ruínas, pavilhões e pequenas construções para criar ambientes diversos e cenários  de inigualável beleza natural.

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Paisagista Mari Polesi - Dir. de Relacionamento do Paisagismo em Foco


Internvenção Paisagística


Em 1869, D. Fernando II casa-se com Elise Hensler, Condessa d’Edla (n. 1836-m1929). A sua segunda esposa iria ser a sua mais fiel colaboradora no processo de arborização e embelezamento do Parque da Pena e tapadas anexas.

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Partilhando o mesmo gosto pela natureza que o monarca, Elise Hensler vai contribuir para o enriquecimento dos jardins, quer através da plantação da Feteira da Condessa, quer introduzindo espécies raras provenientes da América do Norte, onde vivera parte da sua juventude.

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Para terem uma residência separada do Palácio, D. Fernando II e a Condessa mandaram edificar o Chalet, edifício recuperado e aberto ao público em 2011,  que preconizou o gosto pela construção de chalets em Sintra e no Estoril.

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Em 1885, D. Fernando deixa em testamento, para além de outras propriedades, todo o Parque e o Palácio da Pena à sua segunda esposa. Perante a violenta reacção da opinião pública ao testamento, a Condessa acabaria por vender ao Estado em 1889, todas estas propriedades. A intervenção botânica na serra foi de grande envergadura, já que a imagem profundamente arborizada da serra de Sintra, que hoje conhecemos não correspondia, de modo algum, à realidade na segunda metade do século XIX.

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Além de espécies florestais europeias, foram introduzidas muitas outras originárias de regiões distantes. Foi o caso das Sequóias e Túias da América do Norte, das Araucárias do Brasil e da Austrália, das Criptomérias do Japão e dos Cedros do Líbano.

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Construiu-se assim, um ambiente natural de rara beleza e de enorme importância científica que seguramente muito contribuiu para a classificação de Sintra como um Património da Humanidade, pela Unesco. 

Pontos notáveis do Parque:

Horta dos Frades ou Jardim da Rainha
O nome deve-se ao fato de ser esta a localização da primitiva horta dos frades que habitavam o mosteiro no século XVI.

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Atualmente toma a designação de Jardim da Rainha, por se supor ter sido mais tarde construído para a rainha D. Amélia.
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Picadeiro
O picadeiro serviu para as lições de equitação dos príncipes, para garraiadas e como local onde se guardavam os coches. À sua volta existiam magníficas Sequóias vindas da América do Norte, que o ciclone de 1941 viria a destruir. Felizmente, foram poupadas as Magnólias que nos oferecem um espectáculo magnífico na época de floração.

Alto de Santo António
O seu nome deve-se a uma capela circular que aí existia dedicada a Santo António, pertencente ao antigo mosteiro Jerónimo.

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No local foi construído, segundo um projeto do pai de D. Fernando II, o Templo das Colunas, miradouro, hoje envolvido pela densa vegetação do parque e de onde se podia desfrutar uma das mais belas vistas sobre o Palácio.                      

Guerreiro
No alto do aglomerado de rochedos encontra-se a estátua do Guerreiro localizada no penedo da Tapada do Ferreira, a cerca de 490 metros de altitude.

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Trata-se de um bronze da autoria de Ernesto Rusconi (1848) que pretenderá representar o Rei D. Fernando II como guardião da sua obra.

Cruz Alta
É o ponto mais alto da serra de Sintra, atingindo os 529 metros de altitude. O seu nome deve-se a uma cruz que lá foi colocada no século XVI, por ordem de D. João III.

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Esta cruz, em pedra e com uma estrutura interna de ferro foi atingida várias vezes por relâmpagos, acabando por ser destruída. 

Alto de Santa Catarina
Este seria o miradouro preferido da rainha D. Amélia, mulher do rei D. Carlos I. Por esse motivo, o banco que aqui se encontra talhado na rocha granítica é chamado o "Trono da Rainha".

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Daqui é possível avistar o Palácio e a copa das árvores. As espécies que enquadram este miradouro são, na sua maioria, carvalhos (Carvalho-negral), parte importante da floresta primitiva da serra.

Gruta do Monge
Ainda no tempo do mosteiro, este foi um dos locais utilizados pelos frades Jerónimos como local de meditação e recolhimento.


Feteira da Rainha
A este vale terá sido dado o nome de Feteira da Rainha em homenagem à rainha D. Amélia.

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A feteira é constituída por uma coleção de Fetos, alguns originários da Austrália e da Nova Zelândia.

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Elas se juntaram aos Castanheiros autóctones, Faias e Carvalhos que coexistem com os Rododendros asiáticos, Camélias e Bordos do Japão, bem como uma Túia-gigante, oriunda da América do Norte.


Fonte dos Passarinhos
Pavilhão erigido em 1853, inspirado na cultura árabe. De base octogonal, encimado por uma cúpula esférica, apresenta uma inscrição em árabe, na qual se alude à grandiosidade da obra de D. Fernando, comparando-a à de D. Manuel I.

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Os azulejos e diversos elementos decorativos neomouriscos, pontuam o parque de elementos exóticos e orientalizantes, próprios da gramática decorativa do Romantismo.

Tanque dos Frades
Localizado no topo do Jardim das Camélias, o Tanque dos Frades é um dos raros vestígios do tempo dos frades.

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O Jardim das Camélias, que oferece um espectáculo de formas, de cor e de texturas na época de floração, consiste numa extraordinária coleção de diferentes variedades desta espécie e é, também, um dos poucos jardins formais de todo o Parque.

Vale dos Lagos
Aproveitando as linhas de água de todo o Parque que confluem para este vale, criaram-se aqui cinco lagos, rodeados por fetos arbóreos e árvores de grande porte.

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Destacam-se o Lago de São Martinho, com uma pateira em forma de torre medieval, e o Lago do Pesqueiro, onde se conta que o rei D. Carlos pescava carpas.

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Mais informações e agradecimentos:
 
Equipe de Assessoria de Imprensa: Parques de Sintra, Monte da Lua (PSML)

Site: www.parquesdesintra.pt


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