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Da Bienal Europeia à Bienal Internacional da Paisagem


Desde sua 1ª. edição a Bienal Europeia da Paisagem vem aprofundando o debate sobre a intervenção na paisagem, seja pelas disciplinas que compõem seu campo de estudo e evolução quanto, principalmente, pela abordagem própria da arquitetura paisagista. Uma vez consolidada como evento de destaque no continente europeu e referência internacional pelo Prêmio Rosa Barba de Paisagem, a paisagem tem despertado cada vez mais curiosidade entre profissionais, estudantes e admiradores de diversas instancias culturais.

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Clube Náutico de Araraquara | Bruna Moreschi

Cada uma das Bienais apresentou temas abrangentes e complementares, que possuem interface com a intervenção na paisagem, com destaque para as últimas edições, em que a premiação alcançou grande destaque mundial, o que a rebatizou nesse sentido, extrapolando a Europa como área de atuação: "Refazer paisagens" (1999), "Jardins insurgentes" (2001), "Só com a natureza" (2003), "Paisagem: um produto / uma produção" (2006 ), Tempestade e ímpeto (2008), "Paisagens Líquidas" (2010); "Bienal versus Bienal" (2012); "A Landscape for You" (2014), "Tomorrow Landscape" (2016) e "Perfomative Natures" (2018).

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Clube Náutico de Araraquara | Bruna Moreschi

Simpósio

Cada Bienal tem seu simpósio articulado sob um tema, com espaço para reflexões teóricas e práticas no sentido de promover um debate interprofissional. O simpósio tem a duração de 2 dias com sessões de mesas redondas; debates; apresentações dos finalistas do prêmio Rosa Barba; e intervenções de oradores convidados, de destaque internacional. O simpósio realiza-se no Petit Palau de la Música de Catalunya, mas também é transmitido ao vivo no auditório do Colégio de Arquitetos da Catalunha.

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Clube Náutico de Araraquara | Licuri

Sobre o Prêmio Rosa Barba International Landscape, em colaboração com a Fundación Banco Sabadell

Durante a Bienal Internacional da Paisagem é anunciado o Prêmio Rosa Barba da Paisagem, com a colaboração da Fundação Banco de Sabadell. Os vencedores do prêmio e os projetos selecionados pelo Júri Internacional compõem o Catálogo final da 11ª Bienal Internacional da Paisagem de Barcelona. Além de figurar no Catálogo, os projetos selecionados fazem parte da Exposição oficial que é realizada durante o evento, fazendo parte do atlas de projetos especiais e disponíveis no próprio site do evento.

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Clube Náutico de Araraquara | Henrique Santos

Como complementos da Bienal são realizadas exposições anuais itinerantes do Prêmio Rosa Barba (do Colégio de Arquitetos da Catalunha – COAC) e dos Projetos Escolares (da Escola Tècnica Superior d’Arquitectura de Barcelona – ETSAB), com o objetivo de divulgar e promover as práticas profissionais e acadêmicas, percorrendo diversos centros universitários e culturais de todo o mundo.

O projeto do Clube Náutico Araraquara, de autoria de Luiz Matthes, sócio fundador da Licuri Paisagismo, é o único projeto a representar o Brasil entre os mais renomados escritórios de arquitetura da paisagem do mundo.

Link do evento: https://landscape.coac.net/ca

Link do projeto: https://landscape.coac.net/ca/node/4871

Em virtude da pandemia, o Simpósio foi adiado por um ano e será realizado em um formato híbrido renovado (disponível tanto presencial quanto online) de 27 de setembro a 1º de outubro de 2021.

Descrição Geral do Projeto

Fundado em 1963 o Clube Náutico de Araraquara originou-se a partir do desejo de quatro colegas amantes do esqui aquático. Em uma área de 664 hectares, a primeira providência foi construir a represa, inaugurada em 1965. Os seus fundadores buscaram assistência profissional para o desenvolvimento do Plano Diretor, primeiro com o arquiteto Sergio Bernardes e depois com um grupo formado por um engenheiro e estudantes de arquitetura, dentre os quais se destacaram o Engenheiro Roberto Massafera e o Arquiteto Francisco Santoro, que apresentaram uma proposta mais alinhada com as intenções do novo Clube. Santoro assina também as edificações que foram construídas ao longo dos anos.

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Clube Náutico de Araraquara | Caue Martins

Definiu-se, também, que a paisagem fosse tratada com o mesmo grau de compromisso. Assim, ao final de 1970, a Diretoria do Clube, que buscava por um paisagista, contrata para o desafio o ainda estudante de agronomia e ex-estagiário de Roberto Burle Marx, Luiz Antonio Ferraz Matthes. Matthes, passa a ser a figura principal na formação da paisagem do Clube Náutico, transformando áreas de pastagens em um dos maiores exemplos de composição paisagística em território nacional, unindo remanescentes naturais de cerradão com jardins de grande diversidade e beleza cênica.

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Clube Náutico de Araraquara | Bruna Moreschi

Percebe-se a harmonia entre o planejamento da paisagem e a arquitetura, em conjuntos de edificações modernas e composições paisagísticas elaboradas, com grande semelhança estética aos maiores projetos do próprio Burle Marx, fruto do respeito profissional e da influência positiva da amizade que mantiveram por mais de 35 anos. Quando Roberto visitou o clube em 1994, declarou satisfeito, que a bela paisagem do Clube era a única que ele assinaria como dele, em um verdadeiro gesto de admiração ao trabalho do amigo.

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Clube Náutico de Araraquara | Bruna Moreschi

Com mais de 400 espécies de árvores e arbustos, mais de 100 espécies de palmeiras e mais de 40 de herbáceas, além dos jardins e das áreas de preservação vegetal, o Náutico conta com uma verdadeira coleção de plantas que, esteticamente posicionadas, compõem alguns jardins do Clube. O local é um “oásis” em meio à monotonia da cultura de cana de açúcar que o circunda.

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Clube Náutico de Araraquara | Henrique Santos

Ao todo, as áreas de uso recreativo e esportivo do Clube contam com mais de 30 jardins projetados a partir de formas orgânicas e com alto rigor estético e científico. A grande escala de projeto, ao invés de se mostrar um problema, permitiu a ampliação da paisagem em proporções, formas e utilização de espécies que, por fim, compõem a grande paisagem cultural do Náutico.

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Clube Náutico de Araraquara | Caue Martins

Para além das questões estéticas, Matthes e sua pequena equipe elaboraram, frente ao desafio de projeto e conservação, diversas estratégias de gestão e de manejo da paisagem ao longo de 5 décadas de trabalho. Ações que tratam da capacitação da equipe de jardineiros, de gestores, da produção de mudas, bem como, da definição de diretrizes e regramentos para a manutenção do patrimônio. Desse modo, o Clube Náutico pode ser considerado um exemplo de trabalho com a paisagem, desde a escala mais ínfima até a mais abrangente.

Link do evento: https://landscape.coac.net/ca

Link do projeto: https://landscape.coac.net/ca/node/4871


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