
Líbano e sua peculiar arquitetura e tradições milenares
- Pedro Henrique
Este pequeno paraíso fenício, que faz fronteira com a Síriaao norte e a leste e com Israelao sul e a oeste com Chiprepelo mar Mediterrâneo, é muito acolhedor e próspero, atraindo turistas do mundo todo em busca lazer e negócios, além de ser um dos únicos países do Oriente Médio onde é possível mulçumanos, cristãos e outras religiões, conviverem em harmonia e de forma respeitosa.
Se encantar pelo Líbano é coisa fácil, pois, além das belas paisagens e toda a história de um povo guerreiro e conquistador, estar no Líbano é simplesmente dar um mergulho no passado e um salto no futuro. No verão, as altas temperaturas e dias longos permitem aproveitar ao máximo um passeio pela costa para apreciar a imensidão azul do Mar Mediterrâneo e em seguida buscar tranquilidade nas belas montanhas para admirar a peculiar paisagem e o imponente Cedro, símbolo da força e resistência libanesa. No inverno, a diversão fica por conta dos passeios na neve em suas montanhas.
Sua capital, Beirute ou Beirut, considerada a Paris do Oriente, já foi reconstruída por 7 vezes e é uma cidade cosmopolita ideal para quem busca conhecer toda a riqueza do mundo árabe. Em poucas horas você pode passear a beira mar, fazer compras no comércio local e/ou comprar de grandes marcas de luxo nos principais shopping centers e, principalmente, no Centre Ville.
Assim como toda capital, o transito é caótico, porém, aos poucos você vai se acostumar e conviver com o jeito árabe de se comportar no transito. E não se preocupe, não haverão brigas ou discussões caso alguém dê uma pequena batida no seu carro ou vice e versa, faz parte do dia a dia de uma cidade que ainda é carente de transportes públicos, como trem e metrô, o que leva a quase todos a terem um carro para sua locomoção.
A arquitetura de Beirute é uma mistura de prédios antigos, muitos deles crivados de balas da guerra civil, com edifícios novos e moderníssimos. Existem poucos espaços de lazer, porém, são bem cuidados, bastante frequentados e com um paisagismo composto por altas palmeiras tamareiras, oliveiras centenárias e vegetação nativa. O estilo arquitetônico lembra a imponência e solidez dos mercadores árabes, onde o luxo é exagerado em cada detalhe. Reconstruir parte de Beirute após a guerra foi um dos desafios de renomados arquitetos, como Zaha Hadid, que projetou o Instituto Issam Faris no campus histórico da Universidade Americana de Beirute, uma arquitetura ultra moderna em contraste com o estilo medieval.
Do outro lado da montanha, cortada por estradas estreitas e sinuosas, descortina-se um dos locais do Oriente Médio mais rico em termos arqueológicos: Byblos, ou Jbeil, a 37 km de Beirute, norte do Mediterrâneo. É a porta de entrada para uma das cidades fenícias de arquitetura mais conservada e antiga do mundo, habitada ininterruptamente há 7 mil anos. Mais de vinte civilizações passaram por ali.
Biblos é uma das cidades mais belas do Líbano, e também uma das mais históricas do mundo. Localizada no litoral do Mediterrâneo, é famosa por ser o berço da civilização fenícia, povo que deixou o alfabeto como legado para o mundo moderno.
Em nossa expedição, visitamos o Castelo de Byblos, conhecido como Castelo dos Cruzados, onde pudemos apreciar a bela paisagem que abraça as ruínas em estilo romano, tendo o mar sempre a nossa vista.
Visitamos o Jardim das Oliveiras, com oliveiras centenárias que ornamentam a igreja e tem uma vista incrível do azul do mar mediterrâneo, circundada de ruas e casas de pedras com jardins floridos, típicas da arquitetura libanesa.
A culinária e o comércio de Byblos são paradas obrigatórias para se apreciar sem pressa aproveitando cada segundo. E claro, comprar um lembrança faz parte das atividades de todo bom turista!
Há 85 kilometros de Beirute, por uma estada sinuosa em meio a montanhas verdes, está o Vale do Bekaa, uma região muito fértil devido sua abundância de água, coisa rara no Oriente Médio. É nessa região, habitada por mulçumanos, que está a maior comunidade Libanesa com laços com o Brasil, onde não é raro de ser ver pessoas falando português como se fossem brasileiros. Inclusive, foi um dos locais preferidos visitado pelo imperador Dom Pedro II numa viagem ao Oriente Médio, na qual ele ficou encantado com tamanha ousadia e imponência da arquitetura Greco-Romana.
É no Vale do Bekaa que está construído o Templo de Baalbek, o maior patrimônio romano do mundo. Um monumento de proporções faraônicas que resistiu a inúmeros terremotos, cataclismos e destruições em disputas entre árabes e romanos. O Tempo de Baalbeek é composto por 3 templos: Jupiter, Baco, e Venus.
Era em Baalbek onde se realizavam os rituais pagãos e era onde os principais mercadores da Mesopotâmia e Oriente Médio se reuniam para pedir ajuda aos deuses para terem sempre fartura. Baalbek representava o centro financeiro do velho mundo visitado pelos homens mais poderosos da época. Hoje, Baalbek é reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade.
Voltando para a costa do Mar Mediterraneo, encontramos a querida amiga e jornalista Lu Braga para visitarmos a 3ª maior cidade do Líbano: Sidon, ou em árabe ‘Saida’. Situada há 48 kilometros de Beirute, foi uma das mais importantes cidades fenícias, e terá sido, possivelmente, a mais antiga.
Sidon possui remanescências medievais. Habitada desde 4.000 antes de Cristo, tem grande valor histórico, religioso, político e comercial, pois, Sidon era a principal cidade libanesa antes de Beirute. E foi de Sidon que saíram os cedros que construíram o Primeiro Templo de Jerusalém, além dos cedros destinados a construção de navios, templos e portões, da manufatura de vidro e de resina do múrex na cor púrpura.
Durante o século XIII, os cruzados construíram o Castelo do Mar de Sidon, localizado logo na frente da avenida á beira-mar, como uma fortaleza em uma pequena ilha ligada ao continente por um longo caminho estreito de apenas 80m.
Sidon é hoje um centro comercial agitado com a pacífica atmosfera conservativa de uma cidade pequena. Desde o tempo Persa essa era conhecida como a cidade dos jardins e ainda hoje é rodeada por plantações cítricas e de bananas. A entrada de Sidon pelo norte esta numa larga auto-estrada acompanhada por palmeiras imponentes.
Ao visitar Sidon, não deixe de conhecer os tradicionais Souks (mercados) para realizar compras e de almoçar ou jantar no Restaurante House com vista para o Castelo do Mar. O restaurante é um khan (abrigo para caravanas) otomano restaurado, com tetos abobadados, mármores e cantaria. O terraço sombreado no jardim à beira-mar tem uma bela vista da orla marítima de Saida. A comida é a tradicional libanesa: bom mezze, frutos do mar e vinho libanês.
Como no verão é muito quente, uma ótima dica de passeio é subir as exuberantes montanhas de Shouf para sentir o frescor que vem dos vales verdes. Shouf sediou o governo libanês exercido pelos Druzos e fica numa região rodeada de natureza e de comércios ao longo da estrada que corta montanhas a fora.
Shouf é um dos distritos libaneses melhor preservados e sua natureza foi poupada do frenesi intenso da construção civil. Localizada a sudeste de Beirute, a região compreende uma estreita faixa costeira notável para a cidade cristã de Damour, e os vales e montanhas das encostas ocidentais de Jabal Barouk.
A maior floresta de cedros do Líbano é encontrada nas encostas das montanhas de Jabal Barouk: a ‘Al Shouf Cedar Nature Reserve’ (Reserva Natural de Cedros de Shouf). O cedro é o símbolo da bandeira libanesa, o que nos dá o tamanho da importância desta rica região natural.
Os ‘Emires’ (nobres) do Líbano costumavam ter sua residência em Shouf. O mais notável foi Bachir Chehab II, que construiu o magnífico palácio de ‘Beit ed-Dine’ durante a primeira metade do século XIX. Beit ed-Dine é uma cidade pequena com arquitetura peculiar no Monte Libano. É também a capital administrativa do distrito de Shouf.
Estendendo um pouco mais nossa viagem por este país fascinante e apaixonante, pegamos uma carona com Vivane Carvalho, Publisher da revista Connection Beirut (www.connectionbeirut.com) e fomos para as montanhas de Bykfaya, um dos lugares mais visitados de Beirute, conhecer um dos empreendimentos residenciais mais luxuosos do Líbano: ‘Al Delb Town House’ que fora construído com o objetivo de resgatar as tradições libanesas dos grandes homens de negócios que, acima de tudo, são patriotas.
Chegando lá, que encontramos foi um condomínio de luxuosas casas de pedra e jardins simétricos, uma verdadeira expressão da arquitetura libanesa encravada na montanha com vista privilegiada para o mar. Um verdadeiro privilégio!
Suas casas de pedra com telhados de telhas vermelhas descansando no meio de pinheiros e florestas de carvalho fazem Bikfaya um dos subúrbios mais procurados de Beirute e um dos resorts de verão mais populares do Líbano.
Estar no Líbano foi uma experiência enriquecedora sobre a história do berço da civilização e entender os desafios históricos os quais a arquitetura teve que solucionar para transformar o rumo de uma nação. E não importa a dificuldade, seja na montanha, na costa ou na cidade, a arquitetura libanesa demonstrou que é forte, resistente e capaz de moldar o modo de vida daqueles que almejam um Líbano próspero e pacífico.