AS ORQUÍDEAS DO MEU JARDIM


Quem acompanha os Oncídiuns, são os Epidendruns. Orquídeas de terra, originadas nos campos de altitude, exibindo pompons vermelhos, alaranjados e amarelados, que quando vistos de perto, são cachos de lindas e delicadíssimas flores. Verdadeiras jóias paginadas com um desenho deslumbrante com “brilhos de pedras preciosas”, tão frágeis, que parece contra-censo nascerem literalmente nas pedras em locais assolados por impiedosos ventos.

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Desvio o olhar e me chama a atenção um buquê de Cattleyas brancas, de miolo amarelo, que de tão grandes constituem uma pintura à parte.

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Assistindo a tudo, as danadas e resistentes Arundinas, arundineiam a paisagem durante o ano todo com suas flores equilibrantes, nos seus desengonçados e bamboleantes bambuzinhos. Mas seus variados matizes rosados nos dão aula de composição de cor. Fernando Chacel foi quem me apresentou essa planta. Fiquei maravilhado quando discorreu sobre o conceito da Ecogênese e como o utilizou nesse projeto.

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O que me encanta nas orquídeas que descrevi é a rusticidade, o poder de adaptação e proliferação. Isso me faz lembrar uma história contada pelo “Seu” Walter, ou terá sido o Blossfeldt, sobre as orquídeas exportadas em navios para a Alemanha, no início do século passado.

Eram plantas valiosíssimas, que chegavam em balaios ao destino totalmente floridas. Eram florações tão espetaculares que, após uma viagem tão longa de maus tratos, chegava-se a tecer teorias que essas orquídeas não gostavam de cuidados especiais que lhes eram dedicados. Depois, nas estufas de temperaturas, adubação e regas controladas, visto que nunca mais elas floresciam tão magnificamente. Estudos vieram comprovar que, na verdade, essas plantas maltratadas, sentindo a morte aproximar-se, se exauriam em florescimento gerando enormes quantidade de sementes para a perpetuação da espécie.

Esse interessante fenômeno hoje, infelizmente, é usado na indústria da floricultura. Por isso, muitas vezes compramos vasinhos lindamente floridos de violetas, azaléias, crisântemo e poinsétias, que sofrem choques térmicos violentos, adubação ou falta de adubação, para que praticamente num processo de aborto, elas floresçam todas as flores possíveis. É triste, mas como profissionais precisamos entender esses processos.

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Arquiteto Paisagista


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